Curso de Especialização em Ética, Valores e Cidadania na Escola

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vídeo-Aula 4: A Escola e a Construção de Valores Morais

Educação e Valores
Como a escola pode atuar no processo de construção de valores com a criança?
         Na sala de aula este processo é  muito mais complexo, amplos no dia a dia  do que ensinar regras através de jogos.
         Desafio grande para a escola cumprir o seu papel numa educação em valores de cidadania. Não basta dar lição de moral ou ensinar o que é certo ou errado. Ela precisa atuar de forma interdisciplinar e transversal.
          O foco são sete dimensões ou aspectos que escola precisa estar atenta para ensinar valores:


1-    Conteúdos escolares:  Inserção de forma interdisciplinar e transversal sobre temáticas que abrangem o cotidiano escolar como ética, inclusão social, direitos humanos e convivência democrática.
    Hoje os conteúdos não privilegiam o trabalho com valores,     apesar de   toda escola colocar isto no seu Projeto Político Pedagógico.. Esta preocupação precisa entrar no currículo da escola. Nas aulas de todas as matérias de forma transversal e interdisciplinar, fazendo parte do conteúdo; 

2-     Metodologia: Há necessidade de mudar a forma de dar aula, sair da relação de unilateralidade  - onde o professor ensina e o aluno aprende – é essencial para o desenvolvimento da moralidade e da construção de valores  e o aprendizado do diálogo, aprender a trabalhar de forma colaborativa em prol da sociedade –Três características que precisam ser incorporadas no cotidiano escolar:
             - CONSTRUÇÃO COLETIVA DO CONHECIMENTO;
             - DIÁLOGO;
     - o papel ativo do estudante -  protagonistas do  próprio conhecimento – pesquisador – buscar a informação em qualquer espaço,  inclusive o virtual;

3-    0 trabalho intencional com valores: da mesma forma que prioriza qualquer outro conteúdo, assuma como parte do PPP como intenção da escola – QUERER .
    Quais valores intencionalmente trabalhar?
  Sugestão/guia de referência: Declaração Universal dos Direitos  Humanos;

4-    Relações interpessoais: sentimentos fortes como respeito, admiração e autoridade devem ser construídos, trabalhados na relação  em sala de aula:

 “Admiração é o sentimento que promove a identificação entre a pessoa respeitada e a que respeita”

    Esse é o papel de autoridade, por vezes negligenciado, do professor. Para esta autoridade ser constituída é necessária uma relação de admiração que se dá pelo  conhecimento do professor e/ou pela forma correta e justa com que ele  age;

5-    Auto-estima: Também negligenciada numa educação em  valores,  tem como ponto de partida a auto-imagem:

Auto-imagem:
“Cada ser humano cria para si uma imagem que julga representa-lo, com a qual se identifica e se confunde”
Harkot de La Taille, 1999

              Isto tem que ir para a consciência, onde se encontra  a auto-imagem e o que cada   um sente sobre si mesmo:auto-estima. Uma pessoa para ser  ética, trabalhar com valores precisa acreditar em si, ter essa auto-imagem positiva e levar para a  consciência. A escola precisa fazer  este trabalho, reforçar a auto-imagem positiva do aluno...
              A escola age contra isso quando discrimina o aluno por seu comportamento, ou por ser lento, por uma deficiência, etc..., reforça auto-imagem negativa desta   pessoa que dificilmente agirá em prol do coletivo por sentir-se rebaixado  pelo mesmo;

6-    Autoconhecimento: A tomada de conhecimento dos próprios sentimentos  e emoções é essencial para a construção da ética e da democracia escolar, fundamental conhecer os meus sentimentos para agir eticamente e identificar o sentimento dos  outros. Existem técnicas para trabalhar isso;

7-    Rever processo de gestão escolar:  Uma instituição em que decisões sejam centradas nas mãos de um pequeno grupo, em que as regras e projetos acadêmicos já se encontrem pré-determinados pela crença e valores  de algumas pessoas não permite o diálogo e a reorganização constante de tempos e espaços e a busca coletiva de novos e melhores caminhos para enfrentar os desafios cotidianos.
     Na escola tradicional, onde os valores são determinados por quem manda – direção, coordenador, professor - não existe o diálogo, não é um espaço democrático e contribui para a formação de sujeitos heterônomos.
               Para mudar isso deve-se estabelecer relações democráticas, onde para tudo  ocorre o diálogo e a cooperação entre as pessoas.

Referência: A Construção de Escolas Democráticas
Prof. Ulisses Araújo        




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